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terça-feira, 29 de maio de 2018

Os guerreiros de terracota de Xi’an foram descobertos por mero acaso

Cinco das 11 colunas de guerreiros de terracota encontrados na fossa 1 do mausoléu
do imperador Qin Shihuangdi (Foto: © Haroldo Castro/Época)

Percorrer cemitérios não é meu forte, mas o fato é que o imperador chinês Qin Shihuangdi edificou uma tumba que entrou para a história. Seu túmulo é tão importante como as Pirâmides de Giza e o Taj Mahal.

Esses excêntricos mausoléus estão em Xi’an, a 1.200 km de Pequim. Durante mais de um milênio, Xi’an foi a capital do império unificado e sede de 11 dinastias chinesas. A cidade estava situada em uma importante encruzilhada da Rota da Seda e recebia gente de todas as direções.

Qin Shihuangdi, primeiro imperador da dinastia Qin e responsável pela unificação inicial da China no ano 221 AC, era um tremendo déspota e tentaram assassiná-lo três vezes. Seu currículo de obras é grandioso – inclui até parte da Grande Muralha, a qual foi reforçada durante seu reinado. O imperador abriu novas estradas, ergueu palácios, criou sistemas de irrigação e instituiu um severo código penal. Pesos, medidas e moedas foram unificados. O desenho da famosa moedinha chinesa com um buraco no centro data dessa época.

O delírio de grandeza de Qin Shihuangdi fez com que ele começasse a construir seu mausoléu logo que entronado, no ano 246 AC, com apenas 13 anos de idade. Como parte da crença, ele aspirava levar com ele, no momento de deixar a vida terrena, tudo que fosse importante. Para ele, o principal era seu exército. Quando morreu em 210 AC, com 49 anos, toda uma hoste de guerreiros em terracota, em tamanho original, acompanhou-o para a seguinte vida. Mais de 700 mil pessoas trabalharam para montar sua majestosa tumba.

Fileira de centenas de guerreiros em tamanho natural à frente das 11 colunas do mausoléu
do imperador chinês (Foto: © Haroldo Castro/Época)
Ver fotografias ou ler sobre os guerreiros de terracota de Xi’an é uma coisa, estar dentro do pavilhão que protege as escavações é uma sensação muito mais impressionante. Três enormes fossas escavadas revelam o estonteante conteúdo. Vou direto na primeira fossa, a maior e a mais rica. Dou de cara com um imenso retângulo aberto no solo de 62 por 230 metros. Boquiaberto, balbucio palavras de admiração, impressionado pela visão. São mais de mil soldados de pé, todos olhando para a frente, como se estivessem prestes a atacar.

Os guerreiros formam onze colunas na direção leste. As figuras humanas são de tamanho natural e variam de 1,72 metro a 2 metros de altura. Cada soldado tem uma fisionomia diferente: alguns sorriem, outros são mais sisudos. Uns possuem barba, outros bigodes. O adorno na cabeça identifica o status: quanto mais sofisticado, maior a posição. Enquanto o torso, os braços e a cabeça são ocos, as mãos e as pernas são moldadas com barro maciço.

Cada guerreiro tem uma fisionomia única
e está vestido de forma distinta (Foto: © Haroldo Castro/Época)

Cada peça de terracota é decorada de maneira diferente. Consigo discernir alguns traços de pintura vermelha e amarela que resistiram ao tempo. Segundo os arqueólogos, a tinta foi confeccionada à base de minerais e fixadores, tais como sangue animal ou clara de ovo. Outra análise mostrou que as peças foram cozinhadas em fornos de até 1.000° C de temperatura, demonstrando uma grande habilidade na arte da cerâmica.

Dezenas de guerreiros de pé parecem estar prontos para a batalha (Foto: © Haroldo Castro/Época)

Originalmente, os soldados portavam armas verdadeiras, como arcos, flechas, espadas e lanças. Os artefatos de madeira não chegaram aos nossos dias, mas os de bronze e outras ligas foram desenterrados em perfeito estado. Os cavalos em terracota, também em tamanho original, parecem estar vivos e suas bocas abertas sugerem relinchos. Arqueólogos consideram que, se totalmente escavada, essa primeira fossa desvendaria cerca de 6 mil guerreiros, 160 cavalos e 40 carros de guerra.

Cavalos com suas bocas abertas insinuam ação de combate (Foto: © Haroldo Castro/Época)

Fascinante é o fato que o lugar, Qin Ling, a 30 km a leste de Xi’an, só tenha sido descoberto 22 séculos depois de construído. Em março de 1974, um camponês que furava um poço encontrou um pedaço de cerâmica. Com receio de ter feito algo errado, preferiu chamar as autoridades. Em seguida, chegaram os arqueólogos, sem muitas pretensões. Mas quando ampliaram suas buscas, eles ficaram atônitos: guerreiros e cavalos passaram a brotar da terra dia após dia. Se não fosse o poço do camponês, esses tesouros poderiam ainda estar baixo a terra.

Na fossa 2 do sítio arqueológico, um guerreiro sem cabeça repousa no solo,
na posição que foi encontrado (Foto: © Haroldo Castro/Época)

HAROLDO CASTRO (TEXTO E FOTOS)| DA CHINA
19/03/2015 - 10h00 - Atualizado 01/11/2016 17h24
Fonte: Revista Época



sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

domingo, 22 de outubro de 2017

Buda




Buda, que em hindu quer dizer “Iluminado”, foi o nome dado a Siddhartha Gautama, líder religioso que viveu na Índia, cuja bondade e sabedoria lhe valeram esse título. É considerado pelos budistas o “Supremo Buda”, o fundador do budismo.
Buda (Siddartha Gautama) nasceu por volta de 563 a. C. em Lumbini, sendo criado no pequeno principado de Kapilavastu, situado numa região setentrional e montanhosa da Índia que hoje faz parte do território do Nepal. Filho do rei da dinastia Sakia, ficou órfão de mãe poucos dias após seu nascimento. Seu pai o rei Sudoana deu-lhe uma educação requintada, foi preparado para ser um guerreiro e líder político, era chamado de “Sakia Múni” – o sábio da Sakia.

Nessa época, a vida na Índia era difícil, os habitantes eram numerosos, o alimento escasso, e a divisão dos bens desigual, de modo que a fome e a miséria se integravam no dia a dia da maior parte da população. Siddartha Gautama, jovem, rico e bem casado, tinha tudo para se sentir satisfeito, porém demonstrava tendência para a meditação e para o pensamento filosófico e espiritual.

Miséria, velhice, doença e morte eram problemas dos quais jamais pensara em seus 29 anos de idade, até descobri-los em um passeio pela cidade. Foi para ele um choque, em contraste com a beleza de sua esposa e de seu filho, com o luxo que os cercava. A realidade passou a impressiona-lo. Essa perplexidade foi se avolumando pouco a pouco, até o momento de raspar a cabeça em sinal de humildade, e trocar a suas suntuosas roupas pelo despretensioso traje amarelo dos monges e afastou-se do palácio, abandonando família, bens e passado, e iniciou a busca para chegar às verdades superiores.

Novato em questões espirituais, o andarilho juntou-se a cinco ascetas, e com eles passou a jejuar e fazer orações, mas, com o estômago vazio não lhe ensinava nada de novo, perdeu a fé no sistema e voltou a comer. Durante os seis anos seguintes passou o tempo meditando em total solidão. Conta a lenda que Siddhartha Guatama escolheu a sombra de uma grande figueira, que os hindus chamam de “bodhi” e veneram como árvore sagrada.

Sentado sob a árvore, teve visões de Mara – o demônio da paixão, que hora lhe atacava com chuva e raios, ora lhe oferecia vantagens para demovê-lo de seu propósito. Após 49 dias Mara teve de se conformar com a derrota, deixando Gautama em paz.

Ocorreu então o despertar espiritual que o jovem tanto procurava. Iluminado por um novo entendimento de todas as coisas da vida rumou para a cidade de Benares, à margem do rio Ganges, a fim de transmitir o que lhe acontecera.
Pouco a pouco, Gautama encontrou seguidores que reverenciaram sua iluminação, passando a tratá-lo por “Buda”. Durante 45 anos em que pregou sua doutrina, por todas as regiões da Índia, o Buda mencionou sempre as Quatro Verdades e as Oito Trilhas, acrescentando ainda uma sentença, resumo de todo o seu pensamento – A Regra de Ouro: “Tudo o que somos é resultado do que pensamos”.

Os seguidores de Buda, embora desvinculados das coisas desse mundo, observam um profundo respeito por todos que nele vivem. Consideram viver em paz com seus semelhantes, uma obrigação fundamental de todos os indivíduos. O espírito pacifista que leva os monges budistas ao extremo de poupar a vida até dos insetos, tem origem num ensinamento do próprio Buda, que dizia: “O ódio não termina com o ódio, mas com o amor”.

Buda fez questão de propagar que não era Deus, mas queria servir de exemplo para outras pessoas em busca da salvação do espírito e do caminho para atingir o Dharma – o processo de amadurecimento para a plena realização espiritual. Buda faleceu por volta de 483 a. C. em Mallas, Kushinagar, Índia.

Fonte: ebiografia




Ética segundo Confúcio


A ideologia de Confúcio na China antiga era de organizar a sociedade e recuperar os valores antigos, perdidos pelos homens de sua época. No entanto, em sua busca pelo Tao, ele usava uma abordagem diferente da noção de desprendimento proposta pelos taoistas. A sua teoria baseava-se num critério mais realístico, onde a prática do comportamento ritual daria uma possibilidade real aos praticantes de sua doutrina de viverem em harmonia.
Confúcio não pregava a aceitação plena de um papel definido para os elementos da sociedade, mas sim que cada um cumprisse com seu dever de forma correta. Já o condicionamento dos hábitos serviria para temperar os espíritos e evitar os excessos. Logo, a sua doutrina apregoava a criação de uma sociedade capaz, culturalmente instruída e disposta ao bem-estar comum.
Confúcio viajou por diversos lugares, esteve em íntimo contacto com o povo e pregou a necessidade de uma mudança total do sistema de governo por outro que se destinasse a assegurar o bem-estar dos súbditos, pondo, em prática, processos tão simples como a diminuição de contribuições e o abrandamento das penalidades. Já idoso, retirou-se para a sua terra natal, onde morreu com 72 anos.
Os cinco princípios fundamentais do confucionismo («O conteúdo da tradição deliberada») como:
1. Educação, Ritual (Li).
«Estuda como se nunca fosses aprender bastante, como se temesse esquecer o aprendido» Analectos Livro VIII-17
2. Humanidade (Ren).
«O autodomínio e vos ritos trazem a Benevolência (Ren)… A benevolência provem de um mesmo, não dos demais». Analectos Livro XII-1
«Ren consiste em amar aos demais». Analectos Livro XII-22
3. Homem superior (Jun zhi).
«O homem superior é centrado na justiça, o vulgar no benefício». Analectos Livro 4-16
4. Poder (Te) «o poder pelo que se regem os homens».
O bem não se implanta na sociedade nem pela força nem pela lei, senão pela influência das pessoas admiradas e respeitadas. Se o líder é inepto, a sociedade não funcionará.
5. As artes da paz (Wen).
O Diretor General de Haier, Zhang Ruimin e o Diretor do Evergreen (Taiwan), Chang Yung-fa, são bons exemplos diretivos com valores do confucionismo.
«Orientemos a vontade para o bom caminho, agarremos à virtude, harmonizemos com a benevolência, descansemos na arte.» Analectos Livro VII-6.
Após sua morte, Confúcio recebeu o título de “Lorde Propagador da Cultura Sábio Supremo e Grande Realizador” (大成至聖文宣王), nome que se encontra registado em seu túmulo.
Fonte: Wikipedia






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